quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Longo Prazo


''Tem gente que dá saudades.
Tem gente que dá orgulho só por estar ali perto.
Tem gente que abraça forte.
Abraça e aperta.
Ah, como gosto.
Tem gente que não faz cerimônias
e não mede algum esforço para te fazer sorrir.
Tem gente que só por lembrar te deixa feliz.
Tem gente que só por existir te faz bem.
Tem gente que quando fala, a voz soa ao tom de
poesia rítmica de Cecília Meireles.
Tem gente que enxerga a longo prazo.
Tem gente que não repara apenas seu rosto.
Tem gente que entende sua alma.
Tem gente que dá calafrios.
Tem gente que escorrega e
ainda caído no chão continua lindo.
Tem gente que é humilde de todos os ângulos.
É uma esperança pouca, mas que sobrevive.
Tem gente ainda fantástica.
Tem gente ainda que ama.
E essas ‘gentes’
são as mais belas que existem.''





 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Paciência


Paciência
Lenine
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
E o mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não)
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
(a vida não para não... a vida não para)

sábado, 17 de janeiro de 2026

Penso em você



Penso em você É uma canção Que eu não consigo esquecer
Penso em você E é o livro De um amor que não se lê
Penso em você E acho que nunca saberia rejeitar
Um pensamento assim É o perfume na memória do prazer
Penso em você Há tanto pra contar E há tanto pra viver
Penso em você Por entre as telas Pelos quadros de Matisse
Penso em você Em um soneto ensolarado de Vinícius
Penso em você E essa paisagem Em cada passo mais bonita
Se revelará E acho que até hoje Dela eu não saí
Penso em você Há tanto pra contar E há tanto pra viver




quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Criando Memórias



Na correria da vida a gente quase não vê
Os detalhes tão pequenos que o tempo quer esconder
Mas é no riso da gente, no abraço sem por que
Que a vida se revela no simples de viver
São cheiros, são vozes, histórias no ar
O tempo passando, mas sempre a lembrar
Estamos criando memórias
Guardando no coração
Cada riso, cada história
É o amor em construção
O tempo voa, mas eu sei
O que importa é o agora com você
Tudo que eu vivi é memória
Que não vai embora
Na varanda a conversa, o café que acabou
As crianças correndo, o cachorro que chamou
O retrato na parede e o cheiro do jantar
São pedaços da vida que a gente quer guardar
E quando o silêncio resolve chegar
São as memórias que vêm pra abraçar
Estamos criando memórias
Guardando no coração
Cada riso, cada história
É o amor em construção
O tempo voa, mas eu sei
O que importa é o agora com você
Tudo que eu vivi é memória
Que não vai embora
Não é lugar, é quem tá com a gente
É o olhar que aquece, eu sou um presente
A vida é feita de instantes assim
Memórias que ficam dentro de mim
Estamos criando memórias
Guardando no coração
Cada riso, cada história
É o amor em construção
O tempo voa, mas eu sei
O que importa é o agora com você
Tudo que eu vivi é memória
Que não vai embora


Fonte: Musixmatch

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Senhores Passageiros

Senhoras e Senhores

Jovens e Crianças

Se anuncia

A partida do ano de 2026

A bagagem deverá conter apenas

As belas recordações de 2025

duração da viagem

Será de 12 meses

Assim ajuste

O seu cinto de segurança

Desfrute

Das próximas escalas

Esperança,

Paciência,

Harmonia,

Bondade,

Paz,

Bem Estar,

Saúde,

Fé,

Conquista,

Bençãos,

Prosperidade,

Felicidade,

Amizade,

Amor...

Antes de despedir-se

Do ano de 2025

Permita-se

Agradecer

As pessoas que fizeram

Seu 2025 especial

Sou grata,

Por vocês terem feito o meu!

Desejo

Que tenham uma viagem

M  A  R  A  V  I  L  H  O  S  A

A bordo do ano de 2026!

** """ Elizabeth Nogueira """**

domingo, 21 de dezembro de 2025

Lar é Amor



Aqui onde o dia descansa
Onde o mundo aquieta o som
Cada gesto vira lembrança
E o amor aprende o tom
É no simples que a vida fala
É no cuidado que o lar floresce
A mesa posta vira abraço
E a presença vira prece
Tem algo aqui, tão maior que o lugar
É uma luz no ar, é um jeito de amar
Lar é amor que faz morar
É paz que chega sem avisar
Lar é calor que vem do olhar
É experiência que ensina a amar
Lar é amor que faz morar
É paz que chega sem avisar
Lar é calor que vem do olhar
É experiência que ensina a amar
O que sustenta não é parede
É o coração que vive aqui
A mesa farta é só um símbolo
Do que a gente escolhe dividir
Um lar não nasce por acaso
É decisão de construir
Com cada gesto cotidiano
Que faz o amor permanecer
Quando o cuidar encontra o dom de servir
É como se o lar começasse a sorrir
Lar é amor que faz morar
É paz que chega sem avisar
Lar é calor que vem do olhar
É experiência que ensina a amar
É mais que casa, é mais que chão
É mais que teto, é mais que mão
É o que a gente planta ao chegar
É o que a gente sente ao voltar
É onde o mundo não pesa
É onde a alma descansa
É onde o tempo desacelera
E o amor cria esperança
Lar é amor que faz morar
É paz que vem pra ficar
Lar é calor que faz lembrar
Aqui é o meu lugar
Aqui é o meu lugar

Pausa Agradável







sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Felicidade Realista


A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

💢   Martha Medeiros

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Esse trecho é da crônica "Felicidade Realista" da escritora gaúcha Martha Medeiros, publicada no livro Montanha-Russa (2003), sobre os desejos humanos, impulsionados pela cultura do consumo e da mídia, se tornam mais complexos e distantes de uma felicidade simples e realista, contrastando o básico (saúde, dinheiro, amor) com as exigências exageradas por um corpo perfeito, bens de luxo e um amor idealizado e constante.

O livro "Montanha-Russa", de 2003, é uma coletânea de 100 crônicas da autora brasileira Martha Medeiros, publicadas originalmente entre 2001 e 2003, abordando o cotidiano, relacionamentos, aspirações e paradoxos da vida com seu estilo direto, irreverente e bem-humorado, explorando as "alturas e quedas" da existência humana.

Publicado pela L&PM Editores, o livro é conhecido por suas reflexões sinceras sobre as complexidades da vida moderna, usando a metáfora da montanha-russa para descrever a experiência de viver.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

A Vida é o Agora


De tanto esperar pela sexta-feira,
você deixou as terças passarem despercebidas.
De tanto ansiar pelo sol,
esqueceu-se de sentir a poesia da chuva.
De tanto sonhar com as férias,
ignorou a magia dos dias comuns.
Não, a vida não é curta — ela é vasta,
cheia de momentos que caberiam em séculos.
Mas você está esperando… e,
enquanto espera, a vida acontece sem você.

— Fernando Medina

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O texto é uma reflexão poética sobre a perda do presente ao focar excessivamente no futuro, destacando como a ansiedade pela sexta-feira, pelo sol ou pelas férias nos faz ignorar a beleza e a riqueza dos "dias comuns", da chuva e da vida que acontece agora, alertando que viver na expectativa é perder o agora, a vida em si.

A ânsia pelo fim de semana (sexta-feira): Simboliza a espera pelo descanso, pela recompensa, deixando os dias de trabalho (terças) passarem sem serem aproveitados.

O desejo pelo sol: Representa a busca por momentos "perfeitos" ou ideais, negligenciando a beleza e a poesia dos dias nublados e chuvosos, que também têm seu valor.

O sonho com as férias: Mostra a tendência de adiar a felicidade para um momento futuro, ignorando a magia e as pequenas alegrias dos dias rotineiros.

A vida é vasta, não curta: A mensagem central é que a vida é abundante em momentos, mas a espera constante diminui nossa percepção dessa vastidão.

O alerta: Enquanto esperamos, a vida se esvai, reforçando a importância de viver o presente plenamente.

É um chamado à consciência para valorizar o "agora", pois a vida se desenrola nos pequenos momentos cotidianos, e não apenas nos grandes eventos futuros.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Não nascemos prontos!


O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual.

O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.

A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece.

Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está?Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta.

Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.

Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse?

Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar?

Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?

Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.

Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva.

É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.

Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.

Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na idéia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando…

Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo.

Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente.

Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”

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Excerto do livro “Não nascemos prontos! – provocações filosóficas”. De Mário Sérgio Cortella

sábado, 27 de abril de 2024

Aproveite o dia


"Aproveite o dia.

Não deixes que termine sem teres crescido um pouco. Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.

Não te deixes vencer pelo desalento. Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever. Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.

Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo. Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta. Somos seres humanos cheios de paixão.

A vida é deserto e oásis. Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história. Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.

Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem. Não caias no pior dos erros: o silêncio. A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.

Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas. Não atraiçoes tuas crenças. Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos. Isso transforma a vida em um inferno.

Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante. Procures vivê-la intensamente sem mediocridades. Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.

Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam. Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…"

- Walt Whitman * Extraido do Pensar Contemporâneo